100% dos usuários apresentaram alguma dificuldade de navegação
Todos os participantes tiveram algum tipo de dificuldade para entender ou navegar pela plataforma durante o primeiro acesso.
JSYNQ Em andamento
Uma evolução da experiência mobile para tornar a navegação mais clara, facilitar a descoberta de funcionalidades e criar uma base mais sólida para o crescimento do produto.
O JSYNQ é uma plataforma que reúne diferentes ferramentas de gestão em um único ambiente, como projetos, tarefas, CRM, comunicação e integrações. Com a evolução do produto, a experiência mobile passou a apresentar dificuldades de navegação e interação: alguns elementos eram pequenos para o uso em telas menores e funcionalidades importantes estavam escondidas atrás de menus e botões pouco claros.
Atuei como Product Designer, conduzindo uma pesquisa qualitativa com novos usuários para entender a experiência de primeiro acesso, validar hipóteses e identificar os principais pontos de fricção antes do redesign. A partir dos resultados, trabalhei na evolução da experiência mobile, buscando tornar a navegação mais clara e as funcionalidades mais fáceis de encontrar e utilizar.
A equipe já sabia que algumas mudanças na experiência mobile eram necessárias. A navegação apresentava problemas evidentes, alguns botões eram pequenos para a interação em telas menores e determinadas funcionalidades não eram facilmente encontradas.
A ausência de onboarding também já era conhecida pela equipe. Porém, havia uma diferença importante entre os dois problemas.
Enquanto o onboarding poderia ser desenvolvido como parte da estratégia de crescimento futuro, a experiência mobile já impactava usuários que utilizavam o produto naquele momento.
Por isso, a primeira prioridade foi entender e reduzir as principais fricções da experiência existente.
Para investigar esses problemas, conduzi uma pesquisa qualitativa com novos usuários que nunca haviam tido contato com o JSYNQ ou com a plataforma desktop.
A pesquisa reuniu homens e mulheres entre 25 e 34 anos e buscou reproduzir a experiência de alguém chegando ao produto pela primeira vez, sem conhecimento prévio sobre sua estrutura ou funcionalidades.
A jornada foi estruturada em torno de tarefas essenciais:
Durante os testes, observei não apenas se os participantes conseguiam completar cada tarefa, mas também onde hesitavam, quais caminhos tentavam seguir e quando não sabiam qual deveria ser o próximo passo.
Além da observação, coletei a percepção dos participantes sobre o esforço necessário para utilizar a plataforma e sua avaliação geral da experiência.
A pesquisa confirmou que as dificuldades de navegação eram recorrentes e não estavam restritas a casos isolados.
Todos os participantes tiveram algum tipo de dificuldade para entender ou navegar pela plataforma durante o primeiro acesso.
Em algum momento da jornada, 2 em cada 3 participantes ficaram sem saber qual ação realizar ou onde encontrar determinada funcionalidade.
A conexão com o WhatsApp foi uma das tarefas com maior dificuldade: apenas 20% dos participantes conseguiram concluí-la.
Os participantes avaliaram o esforço necessário para utilizar a plataforma em 3,3 em uma escala de 1 a 5, sendo 1 pouco esforço e 5 muito esforço.
Os números mostraram que existia uma dificuldade consistente de navegação, mas a pesquisa também ajudou a entender o que estava por trás dessa dificuldade.
O principal fator que prejudicou a experiência foram funções pouco claras e escondidas atrás de menus e botões.
Os usuários frequentemente precisavam explorar a interface para descobrir onde determinada ação estava ou entender o que um elemento fazia.
Isso criava uma experiência de tentativa e erro:
O problema, portanto, não era apenas o tamanho dos elementos ou a quantidade de funcionalidades.
Era a dificuldade de entender a estrutura do produto e descobrir suas possibilidades.
Em telas menores, uma hierarquia pouco clara e elementos de interação reduzidos tinham um impacto ainda maior.
A interface precisava apresentar muitas funcionalidades dentro de um espaço limitado, mas nem sempre deixava evidente o que era prioritário, onde cada ação estava ou o que aconteceria depois de um clique.
O resultado era uma experiência que exigia esforço justamente no momento em que o usuário ainda estava tentando entender o produto.
A pesquisa ajudou a validar outra hipótese: a experiência mobile seguia uma lógica de navegação muito específica do próprio JSYNQ, diferente dos padrões que os usuários já conheciam de outras aplicações.
Ao longo da evolução do produto, diferentes adaptações foram criadas para o mobile, fazendo com que a navegação acumulasse soluções próprias em vez de seguir convenções já familiares aos usuários.
Isso significava que, além de aprender a utilizar o JSYNQ, o usuário precisava aprender como o JSYNQ funcionava especificamente no mobile.
Para o redesign, ampliei o olhar para além do próprio produto e analisei padrões de navegação presentes em diferentes aplicações mobile, de concorrentes a redes sociais.
O objetivo não era replicar outras interfaces, mas entender comportamentos já familiares e utilizar essas convenções para reduzir a curva de aprendizado e tornar a navegação mais intuitiva.
Outro ponto identificado durante a análise foi a distância entre as experiências mobile e desktop.
As adaptações feitas ao longo do tempo haviam criado diferenças significativas entre as duas versões. Na prática, algumas estruturas e comportamentos eram tão diferentes que o usuário poderia sentir que estava utilizando duas plataformas distintas, dependendo do dispositivo.
Essa diferença também gerava confusão quando um usuário alternava entre desktop e mobile. Algo que ele havia aprendido a fazer em um dispositivo poderia estar em um local completamente diferente no outro.
Por isso, o redesign também buscou aproximar as experiências mobile e desktop, criando uma lógica de produto mais consistente entre os dispositivos.
A ideia não era tornar as interfaces idênticas, mas fazer com que a mesma lógica de navegação e interação pudesse ser reconhecida independentemente do dispositivo.
Apesar das dificuldades encontradas durante a utilização, a percepção geral sobre a plataforma foi positiva.
A nota média de recomendação foi de 8,2/10.
Esse resultado trouxe uma perspectiva importante para o projeto. Os participantes conseguiam perceber valor na plataforma mesmo quando tinham dificuldade para utilizá-la.
Isso mostrava uma diferença entre:
Perceber valor e conseguir acessar esse valor facilmente.
O desafio do redesign passou, então, a ser menos sobre adicionar funcionalidades e mais sobre reduzir a distância entre o usuário e aquilo que o produto já oferecia.
A partir dos resultados da pesquisa e da análise de diferentes padrões de navegação, priorizei os principais pontos de fricção da experiência mobile.
Os usuários apresentavam dificuldade para entender a estrutura da plataforma e localizar determinadas funcionalidades.
Reorganizei a navegação e a hierarquia das áreas principais para facilitar a compreensão da estrutura do produto e tornar os caminhos mais previsíveis.
A experiência seguia uma lógica muito específica do JSYNQ, diferente de padrões já conhecidos pelos usuários em outras aplicações.
Revisitei a navegação a partir de referências de diferentes aplicações mobile, incluindo concorrentes e redes sociais, buscando incorporar padrões já familiares e reduzir a necessidade de aprendizado.
As adaptações específicas do mobile haviam criado diferenças significativas entre as duas versões do produto.
Aproximei a estrutura, a hierarquia e o comportamento das duas experiências, mantendo as particularidades de cada dispositivo sem perder a mesma lógica de produto.
Ações importantes estavam atrás de menus e botões pouco claros, dificultando sua descoberta.
Revisei a hierarquia e a apresentação das ações para tornar funcionalidades importantes mais visíveis e reduzir a necessidade de exploração.
Alguns elementos apresentavam áreas de toque pequenas, dificultando a realização de ações.
Revisei áreas de toque, espaçamentos, posicionamento e hierarquia dos componentes para tornar a interação mais adequada a telas menores.
Durante algumas tarefas, os usuários não sabiam qual ação realizar em seguida.
A interface passou a apresentar ações prioritárias de maneira mais evidente, reduzindo a necessidade de tentativa e erro.
O projeto começou com um problema aparentemente simples: a experiência mobile era difícil de navegar.
A pesquisa mostrou que o problema era mais profundo.
Novos usuários tinham dificuldade para descobrir funcionalidades, entender o próximo passo e completar ações importantes. A análise também mostrou que parte dessa fricção vinha de uma experiência que havia se afastado de padrões familiares de navegação e criado uma distância significativa entre mobile e desktop.
Ao aproximar a experiência das convenções que os usuários já conhecem e criar maior consistência entre dispositivos, o redesign buscou tornar o produto mais claro, descobrível e fácil de utilizar.
Ao mesmo tempo, o projeto criou uma base mais sólida para o próximo passo da evolução do produto: um onboarding nativo que aumente a autonomia dos usuários e prepare o JSYNQ para crescer de forma mais orgânica, facilitando ainda mais a navegação e a aprendizagem de novos usuários.
Este projeto ainda está em andamento. A próxima etapa é avaliar novamente a experiência com usuários para medir se os principais pontos de fricção foram reduzidos, e acompanhar o efeito do redesign na ativação, na retenção, no churn e no uso mobile. Os resultados entram aqui assim que forem medidos.