JSYNQ Em andamento

Refazendo a navegação mobile para reduzir fricção e preparar o produto para escalar

Uma evolução da experiência mobile para tornar a navegação mais clara, facilitar a descoberta de funcionalidades e criar uma base mais sólida para o crescimento do produto.

Papel
Product Designer — End-to-End
Ano
2026
Status
Em andamento

Overview

O JSYNQ é uma plataforma que reúne diferentes ferramentas de gestão em um único ambiente, como projetos, tarefas, CRM, comunicação e integrações. Com a evolução do produto, a experiência mobile passou a apresentar dificuldades de navegação e interação: alguns elementos eram pequenos para o uso em telas menores e funcionalidades importantes estavam escondidas atrás de menus e botões pouco claros.

Atuei como Product Designer, conduzindo uma pesquisa qualitativa com novos usuários para entender a experiência de primeiro acesso, validar hipóteses e identificar os principais pontos de fricção antes do redesign. A partir dos resultados, trabalhei na evolução da experiência mobile, buscando tornar a navegação mais clara e as funcionalidades mais fáceis de encontrar e utilizar.

Entendendo a primeira experiência

A equipe já sabia que algumas mudanças na experiência mobile eram necessárias. A navegação apresentava problemas evidentes, alguns botões eram pequenos para a interação em telas menores e determinadas funcionalidades não eram facilmente encontradas.

A ausência de onboarding também já era conhecida pela equipe. Porém, havia uma diferença importante entre os dois problemas.

Enquanto o onboarding poderia ser desenvolvido como parte da estratégia de crescimento futuro, a experiência mobile já impactava usuários que utilizavam o produto naquele momento.

Por isso, a primeira prioridade foi entender e reduzir as principais fricções da experiência existente.

A pesquisa

Para investigar esses problemas, conduzi uma pesquisa qualitativa com novos usuários que nunca haviam tido contato com o JSYNQ ou com a plataforma desktop.

A pesquisa reuniu homens e mulheres entre 25 e 34 anos e buscou reproduzir a experiência de alguém chegando ao produto pela primeira vez, sem conhecimento prévio sobre sua estrutura ou funcionalidades.

A jornada foi estruturada em torno de tarefas essenciais:

  1. Cadastro
  2. Primeiro projeto
  3. Tarefas
  4. CRM
  5. Leads
  6. Conexão com WhatsApp

Durante os testes, observei não apenas se os participantes conseguiam completar cada tarefa, mas também onde hesitavam, quais caminhos tentavam seguir e quando não sabiam qual deveria ser o próximo passo.

Além da observação, coletei a percepção dos participantes sobre o esforço necessário para utilizar a plataforma e sua avaliação geral da experiência.

O que eu queria descobrir

  • Onde a navegação gerava maior fricção?
  • Os usuários conseguiam encontrar as principais funcionalidades?
  • Quais tarefas eram mais difíceis de concluir?
  • Quanto esforço era necessário para utilizar a plataforma?
  • Quais problemas deveriam ser priorizados no redesign?
  • Como a experiência poderia ser melhor preparada para receber novos usuários no futuro?

O que encontrei

A pesquisa confirmou que as dificuldades de navegação eram recorrentes e não estavam restritas a casos isolados.

100% dos usuários apresentaram alguma dificuldade de navegação

Todos os participantes tiveram algum tipo de dificuldade para entender ou navegar pela plataforma durante o primeiro acesso.

67% não souberam o que fazer ou onde encontrar uma funcionalidade

Em algum momento da jornada, 2 em cada 3 participantes ficaram sem saber qual ação realizar ou onde encontrar determinada funcionalidade.

Apenas 20% conseguiram conectar o WhatsApp

A conexão com o WhatsApp foi uma das tarefas com maior dificuldade: apenas 20% dos participantes conseguiram concluí-la.

O esforço médio foi de 3,3/5

Os participantes avaliaram o esforço necessário para utilizar a plataforma em 3,3 em uma escala de 1 a 5, sendo 1 pouco esforço e 5 muito esforço.

O problema estava na descoberta

Os números mostraram que existia uma dificuldade consistente de navegação, mas a pesquisa também ajudou a entender o que estava por trás dessa dificuldade.

O principal fator que prejudicou a experiência foram funções pouco claras e escondidas atrás de menus e botões.

Os usuários frequentemente precisavam explorar a interface para descobrir onde determinada ação estava ou entender o que um elemento fazia.

Isso criava uma experiência de tentativa e erro:

  • “Onde está essa função?”
  • “É aqui que eu deveria clicar?”
  • “O que eu faço agora?”

O problema, portanto, não era apenas o tamanho dos elementos ou a quantidade de funcionalidades.

Era a dificuldade de entender a estrutura do produto e descobrir suas possibilidades.

Mobile amplificava a fricção

Em telas menores, uma hierarquia pouco clara e elementos de interação reduzidos tinham um impacto ainda maior.

A interface precisava apresentar muitas funcionalidades dentro de um espaço limitado, mas nem sempre deixava evidente o que era prioritário, onde cada ação estava ou o que aconteceria depois de um clique.

O resultado era uma experiência que exigia esforço justamente no momento em que o usuário ainda estava tentando entender o produto.

A navegação também fugia de padrões conhecidos

A pesquisa ajudou a validar outra hipótese: a experiência mobile seguia uma lógica de navegação muito específica do próprio JSYNQ, diferente dos padrões que os usuários já conheciam de outras aplicações.

Ao longo da evolução do produto, diferentes adaptações foram criadas para o mobile, fazendo com que a navegação acumulasse soluções próprias em vez de seguir convenções já familiares aos usuários.

Isso significava que, além de aprender a utilizar o JSYNQ, o usuário precisava aprender como o JSYNQ funcionava especificamente no mobile.

Para o redesign, ampliei o olhar para além do próprio produto e analisei padrões de navegação presentes em diferentes aplicações mobile, de concorrentes a redes sociais.

O objetivo não era replicar outras interfaces, mas entender comportamentos já familiares e utilizar essas convenções para reduzir a curva de aprendizado e tornar a navegação mais intuitiva.

Mobile e desktop também precisavam voltar a falar a mesma língua

Outro ponto identificado durante a análise foi a distância entre as experiências mobile e desktop.

As adaptações feitas ao longo do tempo haviam criado diferenças significativas entre as duas versões. Na prática, algumas estruturas e comportamentos eram tão diferentes que o usuário poderia sentir que estava utilizando duas plataformas distintas, dependendo do dispositivo.

Essa diferença também gerava confusão quando um usuário alternava entre desktop e mobile. Algo que ele havia aprendido a fazer em um dispositivo poderia estar em um local completamente diferente no outro.

Por isso, o redesign também buscou aproximar as experiências mobile e desktop, criando uma lógica de produto mais consistente entre os dispositivos.

A ideia não era tornar as interfaces idênticas, mas fazer com que a mesma lógica de navegação e interação pudesse ser reconhecida independentemente do dispositivo.

Havia valor, mas existia fricção para chegar até ele

Apesar das dificuldades encontradas durante a utilização, a percepção geral sobre a plataforma foi positiva.

A nota média de recomendação foi de 8,2/10.

Esse resultado trouxe uma perspectiva importante para o projeto. Os participantes conseguiam perceber valor na plataforma mesmo quando tinham dificuldade para utilizá-la.

Isso mostrava uma diferença entre:

Perceber valor e conseguir acessar esse valor facilmente.

O desafio do redesign passou, então, a ser menos sobre adicionar funcionalidades e mais sobre reduzir a distância entre o usuário e aquilo que o produto já oferecia.

Transformando problemas em oportunidades

A partir dos resultados da pesquisa e da análise de diferentes padrões de navegação, priorizei os principais pontos de fricção da experiência mobile.

Problema 01 — Navegação pouco clara

Os usuários apresentavam dificuldade para entender a estrutura da plataforma e localizar determinadas funcionalidades.

Solução 01 — Simplificando a navegação

Reorganizei a navegação e a hierarquia das áreas principais para facilitar a compreensão da estrutura do produto e tornar os caminhos mais previsíveis.

Problema 02 — Navegação diferente dos padrões mobile

A experiência seguia uma lógica muito específica do JSYNQ, diferente de padrões já conhecidos pelos usuários em outras aplicações.

Solução 02 — Adotando padrões familiares

Revisitei a navegação a partir de referências de diferentes aplicações mobile, incluindo concorrentes e redes sociais, buscando incorporar padrões já familiares e reduzir a necessidade de aprendizado.

Problema 03 — Mobile e desktop pareciam experiências diferentes

As adaptações específicas do mobile haviam criado diferenças significativas entre as duas versões do produto.

Solução 03 — Unificando a experiência entre dispositivos

Aproximei a estrutura, a hierarquia e o comportamento das duas experiências, mantendo as particularidades de cada dispositivo sem perder a mesma lógica de produto.

Problema 04 — Funcionalidades escondidas

Ações importantes estavam atrás de menus e botões pouco claros, dificultando sua descoberta.

Solução 04 — Melhorando a descoberta

Revisei a hierarquia e a apresentação das ações para tornar funcionalidades importantes mais visíveis e reduzir a necessidade de exploração.

Problema 05 — Interações pouco adequadas ao mobile

Alguns elementos apresentavam áreas de toque pequenas, dificultando a realização de ações.

Solução 05 — Reduzindo a fricção na interação

Revisei áreas de toque, espaçamentos, posicionamento e hierarquia dos componentes para tornar a interação mais adequada a telas menores.

Problema 06 — Próximos passos pouco evidentes

Durante algumas tarefas, os usuários não sabiam qual ação realizar em seguida.

Solução 06 — Criando caminhos mais claros

A interface passou a apresentar ações prioritárias de maneira mais evidente, reduzindo a necessidade de tentativa e erro.

O que mudou

O projeto começou com um problema aparentemente simples: a experiência mobile era difícil de navegar.

A pesquisa mostrou que o problema era mais profundo.

Novos usuários tinham dificuldade para descobrir funcionalidades, entender o próximo passo e completar ações importantes. A análise também mostrou que parte dessa fricção vinha de uma experiência que havia se afastado de padrões familiares de navegação e criado uma distância significativa entre mobile e desktop.

Ao aproximar a experiência das convenções que os usuários já conhecem e criar maior consistência entre dispositivos, o redesign buscou tornar o produto mais claro, descobrível e fácil de utilizar.

Ao mesmo tempo, o projeto criou uma base mais sólida para o próximo passo da evolução do produto: um onboarding nativo que aumente a autonomia dos usuários e prepare o JSYNQ para crescer de forma mais orgânica, facilitando ainda mais a navegação e a aprendizagem de novos usuários.

Resultados em breve

Em andamento

Este projeto ainda está em andamento. A próxima etapa é avaliar novamente a experiência com usuários para medir se os principais pontos de fricção foram reduzidos, e acompanhar o efeito do redesign na ativação, na retenção, no churn e no uso mobile. Os resultados entram aqui assim que forem medidos.